Um dia na vida
Ana Neves
O sol desaparece atrás do
Corcovado. Lucas segue em direção à saída do parque. De longe chegam ruídos de
motor e buzina de carros. Mas ali ele se sente protegido. As árvores se movem
ao sabor de um vento suave. O silêncio e a calma do lugar abrem espaço para o
pensamento buscar por coisas incomuns.
As placas no chão fornecem
informações sobre as plantas. Não é isso o que importa. Sua intenção é se
afastar do problema para avaliá-lo com mais clareza. Precisa caminhar.
Entretanto, os raios do sol que pareciam lhe indicar o caminho já não estão
mais lá.
Valeria à pena deixar para
trás a vida tranquila que levara até agora para experimentar os arroubos de uma
paixão que não o levaria a lugar algum?
A noite cai. Os últimos
visitantes deixam o local sem pressa. Lucas também caminha devagar, pensando no
trânsito, que a esta hora, deve estar bem complicado na Rua Jardim Botânico em
direção ao Rebouças.
Chegando ao estacionamento,
tenta lembrar onde havia deixado o carro. Escuta uma risada conhecida. Alegre,
vira a cabeça. Sua felicidade dura pouco. O que ele avista é o objeto de seus
devaneios entrando sorridente no carro de um colega da repartição.
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